O FUTURO DA HUMANIDE - REFLEXÕES






quarta-feira, 11 de abril de 2012

0047 - COMO CONSTRUIR AUTORIDADE SOBRE OS FILHOS.


                      Pais, educadores, psicólogos e a sociedade em geral se debatem em busca de explicações para os infindáveis conflitos e dificuldades na educação e no relacionamento com os filhos.  A escola, em especial a pública, nunca foi tão impotente quanto nas últimas décadas. A evidência clara de  que  antes  este problema preocupava infinitamente  menos que hoje, nos leva a questionar  sobre as possíveis  causas ou fatores determinantes.

 Sabemos que as modernidades tecnológicas e as mudanças culturais e sociais surgidas após a segunda guerra mundial, a emancipação feminina  a participação crescente da mulher no mercado de trabalho, a fragilização da instituição família, a popularização da televisão  a partir dos anos de 1960, o advento do computador,  da internet, do celular e outras modernidades tecnológicas,  com certeza , nas suas respectivas proporções, contribuíram para o atual estado de degradação das relações familiares, em especial , a relação com os filhos, na família e, na escola.

Citamos vários problemas que  afetam o relacionamento,  todos de certa forma atuando sobre  os indivíduos de fora pra dentro. Vamos tentar identificar motivos que atuem na relação de maneira inversa, de dentro pra fora, isto é, nas relações interpessoais.  O que mudou no mesmo período que possa ter contribuído para o problema e que tenha  explicação, principalmente, na relação mútua? O que pode explicar a perda de autoridade dos pais e educadores nos últimos tempos?  Porque perdemos a capacidade de nos impormos sobre nossos filhos durante a primeira infância, criando assim, condições para que sérios conflitos ocorram nas fases seguintes?

Sabemos que uma criança, antes de um ano de idade, começa entender quando é reprovada ou aprovada em suas atitudes. Começa entender o que é SIM e o que é NÃO.  Nessa idade a criança é um ser desprovido de qualquer conhecimento sobre regras, vai  perceber e assimilar aquilo que for posto a sua frente, aquilo que for estimulado, aquilo que for ensinado.  Se nessa idade a criança descobrir que o nosso NÃO  pode ser SIM e vice versa, se ela descobrir que, com insistências de múltiplas formas, pode inverter as nossas decisões sobre ela, se descobrir que não somos autoridade sobre ela.  Se este for o conceito que ela formar e interiorizar sobre nossa pessoa, adeus relação de superioridade e de autoridade  que todo pai deve ter sobre seus filhos.  A formação destes conceitos tem que iniciar na mais remota idade possível. Se isto não acontecer, passaremos a ser visto por ela como seu irmãozinho mais velho ou como seu coleguinha de escola. Neste contesto, o nosso NÃO terá para ela, o mesmo peso ou valor que o NÃO, dela. Se isto se estabelecer estará formada a condição necessária para o início dos conflitos.

Como evitar que isto ocorra? A fórmula para solucionar o problema é muito simples: A relação com os filhos, nos primeiros anos deve ser pautada por muito amor, muito afeto, muito carinho e, muita AUTORIDADE! Digo mais a relação de mando tem que ser unilateral. Só você manda só você diz o que deve ser feito. Se você acha que deve ou pode fazer a vontade do filho de três anos de idade, por exemplo, reforce sua condição de autoridade e superioridade dizendo assim:  “ Muito bem!  Mamãe ou papai DEIXA você fazer isso ou aquilo”. Jamais QUEIME  o seu NÃO, Jamais diga NÃO  de forma irresponsável ou impensada para depois deixar a criança fazer como queria, passado por cima do seu NÃO como se ele não tivesse nenhuma importância. É preferível deixar certas situações não muito satisfatórias acontecerem do que dizer sucessivos NÃOS para tudo acabar como a criança quer, como se você tivesse dito SIM.  A repetição desta prática destrói, irremediavelmente,  sua condição de ser superior e autoridade, e o rebaixa à condição de seu “coleguinha de escola”, à condição de seu “ Priminho da mesma idade”.

A relação entre pais e filhos nos primeiros 10 anos de idade, JAMAIS, pode ser DEMOCRÁTICA. (Esta é a REGRA). Nunca barganhe sua autoridade, sua experiência de vida, de adulto, de pessoa informada, enfim, de GESTOR ABSOLUTO da relação, com as de uma criança de dois,  de cinco, de oito ou de dez anos de idade.  JAMAIS  passe por  cima  das possibilidades e conveniências; JAMAIS  passe por cima das possibilidades  financeiras;  JAMAIS  passe por cima da  disponibilidade de tempo;  JAMAIS passe por cima do bom  senso e da ética para satisfazer a vontade, muitas vezes,  insensata e equivocada de uma criança.

Você deve saber o QUE, COMO, QUANDO e PORQUE as coisas devem acontecer ou não acontecer. Você tem que ser o filtro  das vontades dos filhos.  Explique muito, comunique sempre, sempre com  carinho, com  amor, com tom de voz agradável e sereno, porém firme,  o porque as coisas são como você diz e, não podem ser como ele quer.

Por exemplo: se você sabe que está no último momento para retornar de um parque de diversão, jamais  diga: “Filho você quer ir embora?”  Ou “filho chega de brincar?” Se estas perguntas forem feitas você estará dando a ele a opção e o direito de responder com um Sonoro NÃO.  Alem de dar-lhe a oportunidade de perceber que pode continuar brincando, já que ele foi consultado. Mais do que isso, você o induziu a pensar, erradamente, que tem o direito de decidir e permanecer por mais tempo. Veja que a, inconveniente, DEMOCRACIA levou a uma situação difícil: se você ceder ele vai pensar que poderá decidir outras vezes.  Se você não ceder o conflito se estabelece.  Com certeza a repetição de atitudes semelhantes, em especial, na primeira infância estabelecerá o caos no relacionamento, futuramente.  Mais coerente seria apanhá-lo pelo braço e conduzi-lo, naturalmente, com autoridade e determinação para a saída, preocupando-se apenas em administrar possíveis resistências, com explicações e argumentações.  Veja que a prática da DEMOCRACIA em uma infinidade de situações e circunstâncias semelhantes, na primeira infância, será bastante prejudicial, em especial na adolescência e na juventude.

Aos que pensam que esse tipo de relação poderá levar a formação de pessoas sem iniciativa, dependentes ou traumatizadas, digo, ESTÃO ENGANADOS.  A capacidade de decidir é um aprendizado importantíssimo. Entretanto, NÃO PODE ocorrer antes da assimilação do conceito de superioridade, sobre os pais e professores, que os filhos devem formar.  Na educação dos filhos, não digo que a percepção dos freios é mais importante que a percepção do acelerador, digo apenas que,  deve ocorrer primeiro.  A questão é de ordem e não de importância. Não se pode construir uma relação de respeito e obediência aos pais e aos educadores, na adolescência e na juventude, se não construirmos, na primeira infância, os pressupostos cognitivos e psicológicos para isso. Lembrando que esta sugestão destina-se, em especial, às crianças sadias, sem distúrbios de quaisquer naturezas.  

                                                                                                                               Antonio Ferreira Rosa